Desconfinamento – Vocabulário e aprendizados

Já estamos cansados de falar disso? Estamos. Já acabou o assunto? Não acabou.

 

Então vamos continuar com um pouco mais de conteúdo mais mais leve, trazendo um pouco de vocabulário e alguns aprendizados que eu tive ao longo desse período estranho e difícil.

Vocabulário

Com essa crise sanitária temos algumas palavrinhas que já entraram no dia a dia e que acho que vale a pena compartilhar com vocês. Segue um pouco de vocabulário do coronavírus.

Confinement

Foi o período de Março a Maio em que vivemos o que em português eu tenho lido como “lockdown”. É uma medida onde se limita muito o direito de ir e vir dos cidadãos e a atividade econômica, algo bem drástico e inédito em um período de paz (vide este discurso do presidente Macron).

Uma amiga minha também chamou em português de “prisão domiciliar“. Achei pesado mas é bem isso.

Déconfinement

A sequência lógica do período em que tudo está fechado é abrir para as pessoas voltarem a uma vida pseudo-normal. Se você precisar procurar na internet informações sobre como está sendo após o período de lockdown na França, essa é a palavra para jogar no google

Quatorzaine

a primeira vez que ouvi eu tive que parar dois segundos mas depois meu cérebro pegou no tranco e voltou a processar. Apesar de no Brasil usarmos o termo quarentena para qualquer período de tempo, aqui na França eles usam só se forem exatamente quarenta dias. Todos os franceses com quem falei usaram o termo quatorzaine “afinal são 14 dias e não 40”. Ou seja : se forem 15 eles vão usar outro nome, se forem 30 outro, e se forem 98 eles vão passar 7 minutos decidindo onde colocar todos os tracinhos entre as palavras e se quatre-vingts tem ou não S.

Eles também usam a palavra “isolé” para falar dessas pessoas que estão confinadas, mas eu não ouço muito. É mais comum “confiné” ou “en quatorzaine“.

Gestes Barrière

Essa palavra é só do que se fala em todos os lugares, propagandas e na entrada de qualquer estabelecimento. É o conjunto de medidas pessoais para evitar a propagação do vírus. Usar a máscara, lavar a mão frequentemente, só cumprimentar a distância e assim por diante.

Lembrando que o melhor a se fazer ainda é ficar em casa o máximo o possível para quem puder!

Sobre esse assunto, tem imagens, explicações, lembretes, e-mails em todas as grandes empresas… Os sindicatos estão cobrando bastante também das empresas e o governo, e continuaram na luta durante todo o período.

Para quem quiser ter uma idéia do formato da comunicação usado aqui, tem um panfleto nesse link.

 

Aprendizados

Que período foi esse ! Acho que se alguém me falar que passou voando vou querer bater na pessoa. Mesmo com o fim do confinamento aqui na França, foram dois meses de muito tempo passado em casa e ainda com muitos limites e restrições.

Entre os aprendizados pessoais que eu tive e que vou poder levar para o meu “novo normal”, tenho coisas positivas, que foram fáceis e me ajudaram:

  • Saber me disciplinar com horários é uma habilidade muito útil. No começo eu consegui seguir um planejamento quase minuto a minuto sem problemas. Quando o confinamento ficou longo demais, essa mesma disciplina ajudou a saber o que era a “base” e o que eu podia adaptar para manter a sanidade.
  • Ter rituais pessoais bem definidos também ajuda a não perder o chão e saber que tenho “meu momento” no meio de toda essa loucura.
  • Identificar qual o “mínimo viável” para sobreviver, e assim poder fazer somente este mínimo e me permitir descansar nos dias em que não estava tão legal.

Mas tive alguns aprendizados mais difíceis e que trazem aquela famosa dissonância cognitiva entre a imagem que temos de nós mesmos e a realidade…

  • Percebi que apesar de ter conseguido manter uma motivação muito elevada no primeiro mês de confinamento, no segundo foi muito difícil, em vários momentos o cansaço venceu e eu queria que o mundo parasse para eu descer. Por mais que eu me mantenha em mente minhas metas e tudo o que eu quero fazer, tem uma grande parte da atenção e foco que dependem de coisas extrínsecas e das quais eu preciso tomar conta para garantir que tudo vai funcionar. Acreditar ser capaz de vencer qualquer dificuldade de foco só com motivação pessoal e força de vontade é um engano que eu não farei mais.

 

  • Ao parar e ter tempo para observar a natureza em todos seus mínimos detalhes e ver por exemplo um lindo por do Sol e colher flores, percebi o quanto eu não estou fazendo isso no dia a dia. Maior tapa na cara já que eu me via como alguém super conectado com a natureza e me achava uma pessoa contemplativa. Talvez já tenha sido, mas hoje preciso fazer um esforço mais consciente para manter isso ao retomar o ritmo de vida anterior.

 

  • E o último aprendizado mais difícil foi que eu hoje coloco muitos obstáculos psicológicos antes de conseguir chegar num momento de auto-compaixão quando estou em desacordo com o que eu me auto-imponho. Eu consegui me adaptar muito rapidamente e rever várias coisas quando a situação externa mudou, mas demorei muito para aceitar quando o meu clima interno estava diferente e que não ia dar para continuar no mesmo ritmo.

 

E o que eu vou fazer com isso?

Muito lindo todo esse aprendizado. Uma pena que seja só da boca pra fora.

Foi o que eu pensei quando vi muita gente falando do “novo normal” e que “nada voltaria a ser como era antes” da crise do Coronavírus. Era muita gente falando disso sem ter por enquanto mudado um nada efetivamente na vida.

Eu não queria ser mais uma dessas pessoas, então eu tomei conta de deixar bem anotado ao longo do aprendizado o que eu ia descobrindo e percebendo as coisas. Não só anotado, mas bem vísivel para não deixar o “novo normal” ser igual ao “antigo normal” quando eu não tinha passado por isso e pensado nisso tudo.

Como eu gosto sempre de traduzir o aprendizado pessoal em ações concretas, seguem as minhas com relação a estes aprendizados :

  • Criei uma agenda do “dia ideal“, que eu olho para saber se estou fazendo o que deveria e, se decidir fazer algo que não está ali, saber o que eu não estou fazendo.
  • Eu agora tenho além da minha lista de objetivos “normais“, uma lista do “mínimo” que eu quero fazer da vida mesmo sem condições ideais.
  • Comecei a tomar nota do meu humor, das condições externas e do meu grau de motivação (escrevendo no meu Bullet Journal no caso, não só em “notas mentais”)
  • Eu voltei a anotar 3 razões pelas quais sou grato no dia, para trabalhar a auto-compaixão quando não conseguir fazer o melhor que podia por uma razão qualquer ou me sentir frustado com o meu dia.

E você, qual mudança real, objetiva, está levando para o “novo normal”? Se não houver provas, para mim de novo esse normal não terá nada.

Agradecimento especial ao Dilemas da Ivana que me deu a frase que eu precisava ouvir para tomar coragem de escrever este post.

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