Vida de Expatriado- O que eu NÃO aprendi em 2 anos

Fala galera!

Para complementar o post da semana passada, eu decidi fazer uma lista com coisas que eu não aprendi, um balanço das coisas que eu ainda preciso desenvolver ou fichas que ainda precisam cair….

Pois afinal a vida é assim né. A gente comemora as coisas que aprende, valoriza os aprendizados, mas não pode perder de vista que sempre há algo novo, uma nova derrota para manter o equilíbrio.

Por sorte (ou por viés pessoal) a lista é um pouco mais curta, mas acho que vai ter muita gente que também se ver nesses exemplos. Todos eles são obviamente pequenos choques culturais, ou pessoais, nada disso é o fim do mundo, mas é engraçado notar essas pequenas coisas no dia a dia.

1 – Culpabilizar por ficar em casa num dia de sol

Após o primeiro inverno na França, eu sentia um desespero muito grande para ver o sol. Eu já comentei algumas vezes disso aqui no blog, e é fato que meu humor varia muito em função do clima.

Por mais que eu já esteja ciente disso, e tome todas as atitudes que eu acho necessárias para não ficar insuportável no período de inverno, uma das coisas que eu ainda não superei é manter o equilíbrio na hora que o verão chega e o tempo de luminosidade do dia é maior.

Não pode começar a ter um dia bonito que eu já não quero mais ficar em casa de jeito nenhum, é uma necessidade de sair para ver o dia, ver gente, ver a cidade, ver qualquer coisa. Em si não é ruim, pois me faz aproveitar muito esse período, mas eu me sinto culpado quando está um tempo bom e eu não saio.

É algo que nunca aconteceria comigo no Brasil – por termos uma quantidade razoável de dias ensolarados o ano todo, um sábado de sol que precisamos passar em casa não parece o fim do mundo. Trabalhar em casa num fim de semana então, super normal. Mas parece ser uma tarefa fora do comum quando preciso fazer isso aqui durante o verão.

 

2 – Abrir a porta ao sair da casa das pessoas

Um pequeno choque de cultura que eu tive já depois de anos morando na França foi perceber que quando vamos na casa das pessoas, elas não vão automaticamente te acompanhar até a porta e abrir.

Aqui não tem nenhuma superstição do tipo “se você não abrir a porta para a pessoa ela não volta mais”.

Quando você vai sair da casa da pessoa, você mesmo gira a maçaneta e só sai.

Por mais que eu já saiba disso e já tenha muita clareza no que está acontecendo, ainda travo alguns segundos antes de abrir a porta e sair. As vezes eu olho a pessoa e fico esperando, até ela ficar com uma cara meio estranha e eu perceber que estou empacando.

Quando penso no porquê de fazer isso, me sinto meio bobo e percebo o quanto é só um costume e como nos deixamos levar por coisas que muitas vezes não fazem sentido algum. Mas, como o cérebro humano é incrível, na proxima vez o meu me diz para continuar esperando a pessoa abrir.

3 – Entender 00% de como funcionam relacionamentos amorosos

Essa é uma festa toda semana quando eu converso com a Thais, que também escreve aqui pro blog. Por mais que já tenhamos alguma experiência em termos de relacionamento com pessoas – leia-se dates, crushes e afins – várias etapas ainda não estão lá muito claras no meu entendimento.

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Eu já automatizei o princípio básico de que após a terceira saída com a mesma pessoa já é um relacionamento. Esse ponto já está okay, claro, entendido professor. Não precisa nem da ajuda dos universitários.

Mas, após esta primeira etapa, várias outras perguntas surgem, para as quais as respostas ainda não são lá muito claras na minha cabeça. São perguntas do tipo :

  • Se ninguém pediu para começar, como a gente sabe se acabou ?
  • Tem um limite de tempo sem falar antes de querer dizer que a pessoa perdeu interesse?
  • Precisa falar todo dia / toda semana ?
  • Posso continuar saindo com outras pessoas ?

Eu já até dei uma boa fuçada nos canais de youtube de franceses que moram no Brasil, mas nunca encontrei uma boa explicação. Ou seja: todas essas respostas não estão no Globo Repórter, bem como não vai ter um diagrama explicativo. Inclusive se alguém tiver estamos dispostos a divulgar aqui no blog…

 

4 – Continuar incomodado com cigarro e as interações por conta dele

Outra coisa que me eu ainda preciso aprender a lidar com mais clareza é o cigarro. Eu detesto o cheiro e a fumaça desde sempre. Por mais que eu saiba todas as estatísticas, e entenda que é um problema de saúde pública e que a pressão social e as dificuldades para abandonar o vício sejam muitas, no âmbito pessoal eu continuo com preconceito e odeio lidar.

Eu já morei por algumas vezes com pessoas que fumam, e as experiências foram bem variadas. Quando as pessoas fumam só fora de casa ainda é um pouco mais fácil, mas ainda assim elas devem me achar uma pessoa horrível quando entram de volta e eu faço uma cara de desgosto.

Já quando a pessoa fuma dentro de casa acaba que eu evito estar nos ambientes em que ela fuma, e fico praticamente o tempo todo tossindo se estou junto, ou então levemente irritado por minha roupa pegar cheiro. Acho que essa é uma das poucas coisas que me fazem automaticamente dizer não para morar com alguém.

As diferentes interações sociais envolvendo o cigarro também me incomodam muito, como ter que sair do prédio para fazer uma pausa ou então ter que acompanhar amigos fumantes fora de um bar ou algo do tipo.

Outro ponto que me irrita bastante é ter vez por outra gente me parando na rua pedindo seda ou então isqueiro. Já perdi a conta de quantas vezes sou parado no meio do nada, dou atenção para alguém achando que é algo importante ou sério, mas é só alguém pedindo para fumar às custas de um passante (no caso eu). Ainda bem que eu não tenho, pois é o fim da picada além de fumar a pessoa querer fazer isso às contas de outras pessoas.

Eu não sei se pretendo claramente me acostumar com isso, mas eu gostaria de pelo menos não ficar com cara feia quando acontece.

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Espero que tenham gostado dessa proposta de comemorar os 2 anos do blog com algumas reflexões.  Até outra hora aqui no blog, ou então nos comentários do Instagram ou do Twitter!

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