Vida de Expatriado – Não foi ruim coisa nenhuma

Uma das minhas resoluções para 2019 foi ser uma pessoa mais evoluída.

Um tanto amplo esse conceito não é mesmo? Então comecei a por na balança o que eu queria de mim para alcançar esse objetivo.

  • Ser mais presente na vida da minha família e amigos mesmo há tantos quilômetros de distância;
  • Estar em paz com meu corpo;
  • Ler mais;
  • Consumir conscientemente e de maneira sustentável;
  • Ser mais independente.

E nesse último ponto que foi minha maior reflexão. O que seria ser independente?

Estou em um ponto da vida que financeiramente dependo zero dos meus pais e não preciso contar moedinhas para fazer ou comprar o que quero – obrigada mamãe, obrigada papai por me explicarem desde o cedo o valor do dinheiro –  tenho um histórico de carreira tanto no Brasil quando na França (mesmo que esta seja ainda bebê), tenho meu apê (alugado, mas a minha cara e na minha paleta de cores).

Então qual independência que eu ainda procuro? Simples, A Emocional.

L'amitié du méchant est plus dangereuse que sa haine. (11)

Nunca precisei sair de casa nem para estudar, nem para trabalhar.

Apesar de já ter passado dois períodos longe de casa durante os intercâmbios sempre soube quando iria voltar. Me candidatei em 2017 para uma mobilidade interna e troquei uma carreira que andava muito bem por um novo mercado, terminei um longo namoro, sai da casa dos meus pais, abri mão dos encontros semanais com meus amigos, parti me aventurar em um novo país e procurar um novo círculo social partindo totalmente do zero.

E foi aí que percebi que precisava equilibrar uma parte da minha vida que até então parecia tudo bem.

O meu “ir morar sozinha” foi muito mais desafiador do que eu poderia prever. Nenhum problema grave, mas foi diferente de tudo que eu vivi até então e para me ajudar a resolvê-los eu só tinha a mim mesma.

Tive problemas com a minha chefe, problemas amorosos, dificuldade de adaptação ao clima, senti falta de uma cidade grande, dificuldade em me desligar do que acontecia no Brasil, me sentia sozinha, decepcionada e arrependida…

Sempre fui uma pessoa muito autocrítica que não sabia estar sozinha, me exijo demais em tudo que eu faço. Por isso, qualquer coisa que não saísse como planejado ou esperado não eram meras infelicidades da vida, mas falhas e fracassos meus.

Vocês conseguem imaginar se sentir culpada por ficar em casa no final de semana pois não tem amigos para sair? Parece um tanto bobo, não?

Mas

eu morria de vergonha de dizer a qualquer um que eu estava em casa porque não tinha ninguém,

ou então que não me dava bem com a minha chefe, ou que no domingo não tinha absolutamente nada para fazer na minha cidade de apenas 150 mil habitantes.

Como se isso fosse um fracasso.

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Desde a minha chegada, já queria que minha vida estivesse a mil, conhecendo toda a cidade, sendo um sucesso total no trabalho, tendo vários contatinhos, indo esquiar nos Alpes e tendo que escolher com qual grupo de amigos eu iria sair naquele dia.

Levou um tempo para eu entender que a vida não funciona desta maneira. Foi uma descoberta diária e algumas sessões de terapia para compreender que eu não era uma fracassada pela minha chegada a França não ter sido uma história de princesa.

Terminei 2018 sentindo que este tinha sido um ano ruim, mas ao voltar para o Brasil de férias e contar para todo mundo sobre a minha vida por aqui a ficha caiu “opa, este não foi um ano ruim coisa nenhuma”.

Foi um ano de mudança, e mudar é difícil. Exige esforço, exige concessões e exige paciência para atingir o resultado. Depois de muito refletir me dei crédito pelo quanto mudei, e acredito que foi para melhor.

Não deixei de ser a Thaís que sem nem pensar duas vezes assinou a carta proposta para vir morar na França mas tenho certeza que esta estaria orgulhosa da versão Thaís+ que sou agora.

No início do ano passei por uma situação que deixaria a minha versão 2018 sem rumo, mas que uma boa noite de sono, uma conversa honesta com um bom amigo e uma bela pizza já me deixaram tranquila. Nem todo o brigadeiro de panela do mundo e uma hibernarda de urso poderia ter me aliviado dos sentimentos ruins se eu não estivesse segura emocionalmente, não soubesse que eu sou completa comigo mesma e que cada um tem a sua parcela emocional para tomar conta, eu não posso exigir dos outros o que não está na cartilha deles de responsabilidade, eu tenho que respeitar a minha para ser verdadeira comigo.

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Mas o porque eu contei tudo isso?

A idéia desse blog é compartilhar um pouco sobre a vida na França. Eu poderia ter sentido e passado por isso em qualquer lugar. Mas foi aqui que eu percebi que as coisas não sairão como planejado. E esta tudo bem se não sair.

Até de um coração partido você pode tirar algo positivo (pode confiar, been there, done that).

Não vou mentir : não é por que estou te prevenindo que você também não se sentirá um fracassado, mas há coisas que você pode fazer para mudar isso:

  • Vá ao cinema sozinho; aprender a aproveitar a sua própria companhia é um passo essencial para a independência emocional;
  • Pare de buscar relacionamentos perfeitos;
  • Faça uma lista de 3 coisas que você gostaria de experimentar e bote em prática;
  • Perca o medo de conhecer novas pessoas

 

Como já disse, não tem fórmula mágica. Para ter “sucesso” mundo afora, cabe a você tomar a iniciativa e fazer algo para construir isso.

 

A Thaís+, como parte do seu desafio para ser uma pessoa mais evoluída, leu este ano três livros que apelidou de a “trilogia do amadurecimento”. São alguns livros que me ajudaram a refletir sobre a minha versão atual, a versão que eu posso ser e como chegar lá.

  • O poder do Hábito,
  • O método bullet Journal
  • A sútil arte de ligar o f*da-se

Nem sempre eles serão gentis em te mostrar que você pode, ou até deve, melhorar. Mas essa trilogia merecia uma daquelas propagandas bem clichês dos anos 90 : Satisfação garantida ou seu dinheiro de volta.

Ainda tenho muito para amadurecer e evoluir e sei que esse objetivo não será apenas para 2019, será uma melhoria contínua para minha vida.

Há pouco tempo vi na torre do terror na Disneyland a melhor metáfora para a minha superação, algo que eu jamais imaginaria fazer, hoje me deixa cheia da adrenalina boa da conquista.

E você, pronto para encarar sua parcela emocional e pegar em troca a sua dose de conquista?

Bon Courage!

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