Morar na frança como… Assalariado

De um ponto de vista prático, a perspectiva de vir trabalhar a longo prazo implica um pouco mais de organização pessoal do que uma estadia tendo em vista estudar. Quem já está inserido no mercado do trabalho, deveria estar igualmente pensando em seu futuro, não apenas em termos de evolução profissional mas também de criação/sustentação familiar e, num futuro mais ou menos distante, aposentadoria.

Neste post eu dei algumas pistas para a preparação de um projeto de estudos na França, na forma de pontos a ser avaliados para escolher um intercâmbio que corresponda ao que você procura. Para continuar no clima, resolvi fazer também uma lista das coisas que eu levei em conta ao preparar meu projeto de imigração. Essa lista é mais um rascunho do que algo escrito em pedra, mas é um bom começo, além de contar com algumas dicas bem preciosas que me salvaram bastante.

Então, ao estruturar seu projeto de imigração, não se esqueça de levar em conta cada um desses fatores. Agora, se seu projeto já está claro, continue lendo para ver se já pensou em cada um desses pontos.

Facilidade com o idioma e cultura

Como eu já disse num dos primeiros posts do blog, para trabalhar na frança não é estritamente necessário saber a língua. Apesar de ajudar muito, não são todos os trabalhos que requerem o idioma, e algumas carreiras inclusive valorizam o aspecto internacional.

Entretanto, além de ter mais oportunidades, em geral ao aprender francês você também adquire o conhecimento do funcionamento do sistema de administração francês e da lei trabalhista. Isso é uma grande vantagem, e te ajudará a não ficar em apuros sem entender alguma situação ou sem saber onde procurar ajuda.

Um dos objetivos deste blog é justamente te ajudar a não ficar sem saber por onde começar nessas situações. Mas até termos todo o conteúdo para você poder se livrar das mais difíceis enrascadas, vale pensar um pouco nisso antes de comprar o bilhete de avião

Projeto Profissional

Outro ponto essencial na sua avaliação é o quanto o cargo que está sendo proposto está alinhado com os seus objetivos profissionais. Conheço muita gente que pensa não se importar muito com o que vai fazer desde que seja na Europa, mas rapidamente essa falta de foco profissional pode levar a um descontentamento que nenhuma melhora na qualidade de vida será capaz de equilibrar.

Apesar de não ser toda a sua vida, seu trabalho será uma parte bem importante dela, e especialmente no começo suas principais conexões serão com as pessoas do seu local de trabalho, que lhe parecerão tão chatas quanto ele se você não estiver gostando.

Certifique-se também das possibilidades de evolução de carreira. Perguntar isso logo num primeiro momento pode parecer ousado demais, mas isso é geralmente bem visto se você souber posicionar como uma vontade de permanecer na empresa e ajudá-la a crescer.

Tempo do contrato

A legislação trabalhista francesa tem muitas nuances e é tão ou mais complexa que a brasileira, e inclui 3 principais tipos de contratos de trabalho :

· CDI, contrato de duração indeterminada

· CDD, contrato de duração determinada

· Intérim, um tipo de contrato temporário terceirizado

Cada um desses tipos de contrato tem nuances que vamos explicar em detalhes no futuro, e dependendo do contrato será mais fácil ou mais difícil obter o visto e uma carta de residente mais para a frente. O tipo de contrato também vai facilitar ou complicar a obtenção do visto, então é importante não deixar de perguntar para o futuro empregador.

Tipo de Visto

Caso você não tenha uma dupla-nacionalidade, você vai precisar de um visto de trabalho. Antes de mais nada, é importante saber logo de cara que o processo pode ser bastante demorado, e que o seu contratante é quem deve fazer o primeiro passo para este pedido.

Como o procedimento todo pode se prolongar por meses, avise logo nas entrevistas iniciais para não parecer que você está tentando esconder o jogo sobre isso. Ser transparente te ajuda não apenas a não criar expectativas mas a já deixar o RH da empresa preparado para tratar de um caso mais complexo. Na minha empresa, até hoje quando passo no RH todos comentam como foi difícil fazer dar certo, mas num tom de piada.

Existem diferentes vistos que permitem ao portador trabalhar no país. Cada um deles vai ter suas limitações e seus benefícios e, como não sou especialista em vistos, não acho que seja justo eu tentar discorrer aqui sobre as especificidades de cada um, mas vou deixar o link do site da embaixada e dos consulados para você poder acessar e verificar qual deles parece mais apropriado.

Consulados da França no Rio, em São Paulo ou no Recife.

Site da embaixada com as diferentes modalidades de visto

Alojamento

Ao mudar de país, você vai se deparar com toda uma gama de problemas que não pareciam tão importantes enquanto você estava no Brasil : ter que encontrar um novo cabeleireiro, um novo supermercado, aprender a andar na cidade, e assim por diante. O fato de não estar num lugar legal vai deixar isso muito mais difícil.

Por isso, é muito importante fazer uma boa pesquisa sobre a cidade e a região, inclusive sobre preços médios de casas e apartamentos e os impostos locais.

Empresas grandes muitas vezes tem serviços de apoio a quem muda de região para trabalhar, e em empresas pequenas você sempre pode pedir diretamente para os colegas de trabalho quais são os lugares legais e baratos para morar.

Grupos do facebook também podem ser uma boa fonte de informações, além dos blogs ou canais de pessoas que moram nessa cidade. Tome um cuidado extra ao procurar informações em grupos facebook de estudantes, o ritmo de vida e os critérios de localização e qualidade de moradia podem não ser os mesmos que você está esperando.

Caso não esteja seguro o suficiente para fazer um contrato diretamente na sua chegada, negocie com a empresa para ficar algum tempo num apparthotel, AirBnB ou algo do tipo enquanto procura um lugar para ficar. Isso pode te salvar de um ano num apartamento que na verdade nem era tão central quanto parecia ou então que está numa rua muito movimentada.

Eu por exemplo fui muito apressado e acabei escolhendo um apartamento numa rua que estaria em obras pelos próximos 4 anos. Tudo maravilhoso, perto dos bares, do trabalho, do supermercado… Mas tinha britadeiras e trânsito maluco todo dia, até eu decidir mudar quando deu por volta de 6 meses nessa loucura que era aquele apartamento.

Dinheiro

A parte mais difícil. Para saber se o projeto faz sentido, é importante avaliar corretamente do ponto de vista financeiro. É importante olhar os dois elementos da equação de enriquecimento : os custos e os ganhos.

Antes de aceitar a proposta (e de preferência ainda enquanto estiver participando do processo seletivo), faça uma primeira pesquisa sobre o custo de vida na cidade para não ter surpresas. Muitas vezes um salário que a princípio parece incrível acaba sendo insuficiente uma vez pago o caríssimo aluguel do apartamento em Paris.

Como regra geral, o custo de vida é mais alto em Paris e nas grandes cidades e menor conforme você vai para o interior do país. As cidades na Côte d’Azur são uma exceção, mas fora isso dá para confiar bem nessa regra. Existem sites em que você pode fazer uma cotação específica para a sua cidade, e diversos blogs e canais no youtube já abordam essa temática.

A outra parte da equação vai provavelmente estar associada ao seu emprego. Não deixe de pesquisar o salário padrão do posto que você está procurando em sites como LoveMondays ou Glassdoor, e use isso para negociar seu salário se necessário. Afinal, se na hora fatídica em que perguntarem qual sua pretensão salarial você não tiver no mínimo uma noção poderá acabar perdendo milhares de euros por ano.

Um erro clássico ao avaliar o quanto vale a pena do ponto de vista financeiro é esquecer os impostos e outras deduções do salário bruto. Na França a carga tributária é bastante elevada, então é muito importante ter isso em mente ao avaliar a proposta de salário. Assim como no Brasil, o Imposto de Renda depende de seus ganhos anuais. Uma regrinha que os francesas falam o tempo todo é separar um mês de salário para pagar impostos (eu interpreto como um mês de salário bruto). Outro imposto que se costuma esquecer na conta é a Taxe d’Habitation, que é o equivalente do IPTU. Ele vai custar em torno de um mês de aluguel.

Para saber uma primeira estimativa de quanto será o imposto de renda, dá pra simular no próprio site do fisco francês, onde também já dá pra ver a Taxe d’Habitation.

Hoje vou parar por aqui, mas como eu disse essa lista é só um primeiro guia para você começar a pensar em alguns temas. A situação de cada um é muito específica, então o melhor é sempre partir dos grandes temas pra chegar nas minúcias do seu caso específico.

Boa semana e boa sorte em seus planos!

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